sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Como revalidar meu diploma estrangeiro no Brasil?



Fiz um curso no exterior, mas e agora? Ele vale no Brasil também?

Toda semana alguém me escreve perguntando isso e resolvi então tentar esclarecer algumas coisas sobre a revalidação do diploma estrangeiro no Brasil.

A idéia de estudar no exterior é muito legal, pode contar pontos no currículo, mas sempre devemos ter em conta que o diploma não é aceito automaticamente fora do país de expedição. Um longo processo burocrático separa a obtenção do documento estrangeiro e o direito de ostentar um título válido no Brasil.

Existe uma diferença entre revalidar um curso de graduação e um de pós graduação (mestrado e doutorado). No primeiro caso, o processo pode ser um pouco mais complicado, rigoroso, demorado e o pior de tudo, sem garantias de que a resposta será positiva. O segundo também é longo, mas as chances de ser aceito são bem maiores.


Cursos de graduação

A revalidação de diploma de graduação expedido por instituições de ensino superior (IES) estrangeiras é regulamentada pela Resolução CNE/CES nº 01, de 28 de janeiro de 2002, alterada pela Resolução CNE/CES nº 8, de 4 de outubro de 2007’.

O processo de revalidação é realizado por qualquer universidade pública brasileira que ministre o mesmo curso de graduação realizado no exterior (na mesma área de conhecimento ou em áreas afins). Por isso, antes de viajar de “mala e cuia”, é importantíssimo que o estudante avalie a grade curricular do curso internacional que escolheu e compare com os conteúdos ministrados pelas universidades públicas reconhecidas pelo MEC (disciplinas e principalmente carga horária). Isso ajudará a futura revalidação, pois é muito difícil que a universidade simplesmente aceite o diploma estrangeiro sem solicitar que o aluno curse algumas disciplinas e realize provas e exames, com o objetivo de caracterizar a equivalência, verificar os conhecimentos ou simplesmente complementar a formação (quanto maior o número de disciplinas semelhantes, menores as chances de ter que cursar outras).

Antes de voltar ao Brasil de vez, tenha em mãos além do diploma, a grade curricular do curso com a descrição de todas as matérias e as respectivas cargas horárias que você cursou, o histórico, as notas e todo documento que julgar importante. Para que estes documentos tenham efeitos no Brasil, eles devem estar devidamente legalizados pelas autoridades estrangeiras, e isso nada mais é que outro processo burocrático de reconhecimento de firmas. Por isso, todos os documentos devem ser oficiais e assinados por alguma autoridade da universidade e posteriormente enviados, normalmente, ao Ministério de Educação e posteriormente ao de Assuntos Exteriores do país estrangeiro (cada país tem o seu próprio procedimento, tenho mais conhecimento do caso da Espanha). Como o Brasil não assinou o convenio de Haya (que permite a reciprocidade entre documentos oficiais emitidos em diversos países) os documentos depois de reconhecidas as firmas devem ser enviados ao Consulado Oficial do Brasil no país em questão para finalmente terminar o processo de legalização.

Depois desta etapa, os documentos estrangeiros estão prontos para serem apresentados a qualquer autoridade brasileira e enfim, começar o processo de revalidação no Brasil. Em alguns casos é solicitada a tradução juramentada dos certificados (O Brasil tem acordos com alguns países, como a França, e, portanto dispensam essa exigência de traduzir).

Já no Brasil, o primeiro passo é entrar em contato com o Departamento de Relações Internacionais de uma universidade pública reconhecida pelo MEC (preferivelmente a mesma que antes de viajar você comparou os currículos). Cada universidade tem autonomia para realizar o seu protocolo de revalidação, mas normalmente os documentos solicitados são bastante parecidos: diploma, histórico escolar, conteúdo programático, bibliografia… e óbvio, o pagamento de certas taxas.

Depois disso é sentar e esperar a resposta, já que até sair um parecer, nada mais depende de você e não há um prazo estabelecido para a conclusão. O processo é longo porque é avaliado por uma comissão de professores que analisa detalhadamente todas as disciplinas cursadas no exterior e define se estão de acordo com o conteúdo ministrado pelas disciplinas equivalentes oferecidas pela mesma universidade. Em muitos casos, não apenas as matérias cursadas e as notas obtidas são levadas em conta, mas a reputação e o histórico da universidade de origem do diploma.


Cursos de pós graduação

Neste caso, a revalidação é bem menos problemática, complexa e demorada, já que normalmente os cursos são bastante específicos e geram uma dissertação ou tese mais fácil e rápida de ser avaliada.

Mas nem por isso a burocracia é menor. O processo é praticamente o mesmo: para facilitar a revalidação, antes de viajar escolha um curso que também exista no Brasil; antes de voltar legalize todos os documentos (diplomas, históricos, notas…) nos Ministérios de Educação e Assuntos Internacionais e leve até o Consulado Geral do Brasil no país de origem; procure uma universidade pública que ofereça um mestrado ou doutorado na sua mesma área de conhecimento, em área afim ou superior; uma cópia da dissertação ou da tese é solicitada e, dependendo da universidade, não precisa ser traduzida para o português.

A idéia de realizar um curso que não existe no Brasil pode ser tentadora em um primeiro momento, mas lembre-se que logo se não existem profissionais capacitados aqui para dizer se o seu diploma é válido ou não, ele não será revalidado.


Resumindo: se você quer evitar dor de cabeça, escolha um curso no exterior (seja de graduação ou de pós) que já tenha algum equivalente no Brasil; não volte para o Brasil sem a documentação (diplomas e tudo mais)legalizada pelos ministérios e logo no Consulado do Brasil; considere que cada universidade tem autonomia para estabelecer o seu padrão de revalidação, ou seja, os documentos a serem apresentados podem variar, bem como as taxas, prazos, comissões, etc., e isso também significa que se o seu processo não for aceito em uma universidade ou você não concorda com a resolução, pode tentar outra vez em outra.

Enfim, tudo que envolve burocracia é demorado e muita vez independe da nossa vontade. Como eu disse ao principio, a idéia de estudar no exterior e engordar o currículo pode ser o máximo, mas lembre-se, a pressa é inimiga se você optou por este caminho.


Mais informações:

Documentação padrão (graduação) Informações gerais (pós graduação) - Informações gerais Caminho tortuosoBrasil e Portugal



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Com tempo para nada!



Estou no Brasil há uma semana e poderia alegar a falta de tempo para explicar o mofo do blog. Mas apesar de todas as coisas legais que se faz quando se volta ao Brasil, tempo é o que não anda me faltando... Durmo tarde e acordo cedo, o almoço às 12hs fazem as minhas tardes ficarem intermináveis (no bom sentido da palavra) e os trajetos curtos fazem o ir e vir (obviamente de carro, o meio de transporte usual... saudades da minha bici) serem praticamente instantâneos (quase um tele transporte) coisa que não estou mais acostumada. Para completar, ainda estou naquela fase de que quero fazer tudo hoje, mas posso deixar para amanhã, já que fico até o dia 14 de janeiro. Resumindo, sim, tudo indica que eu tenho tempo sobrando, afinal, supostamente estou de férias.

Poderia contar como andam as filmagens do novo filme Knight & Day que o Tom (Cruise) e Cameron (Díaz) estão gravando pelas ruas de Sevilla. Ouvi dizer que a dupla de bonitões anda dando o que falar com cenas de perseguições ao lado da catedral e tudo mais, fecham ruas (e dessa vez não por culpa de obras públicas intermináveis) e causam o alvoroço entre a gurizada. Até a filhinha dele foi flagrada andando vestida de sevillana pelo Parque Maria Luisa (fez o que eu em 4 anos nunca tive audácia!). Vários outros detalhes que deixo para depois...

Outro assunto que poderia ser pauta do blog é o Dia dos Direitos Humanos, celebrado hoje e que este ano tem como tema central a discriminação. Eles já têm mais de 60 aninhos e parece que ainda não somos capazes de exercê-los ou respeitá-los. O papo tem muito pano pra manga que deixo para depois...

Também poderia escrever mais sobre a minha chegada aos 30, a comemoração maravilhosa entre família e amigões e mais coisas cotidianas da minha cidade. Coisas alegres, porque de pobreza e decadência eu já falei em anos anteriores (leia-se posts de dezembro) e não quero me repetir, já que segue tudo igual ou pior. Poderia dizer como o trânsito anda caótico e egoísta e que o conceito da tal “direção defensiva” não passou nem perto dos ouvidos dos motoristas pelotenses. Mas esse assunto é chato e também quero deixar para depois...

Ao que tudo indica, o blog será deixado para depois por alguns dias. Depois de quê eu ainda não sei exatamente. Mas prometo voltar logo. ¡Hasta pronto!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cheguei aos 30!




É gente, cheguei aos 30!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

COP 15

Materia publicada na globo.com


Campanha de ONGs ambientalistas critica hesitações de líderes mundiais
Aeroporto de Copenhague tem cartazes do Greenpeace e TicTacTicTac.
Texto mostra Obama e Lula idosos, pedindo desculpas pela falta de ação.


As ONGs ambientalistas Greenpeace e TicTacTicTac criaram outdoors que criticam a falta de ações mais concretas dos líderes mundiais contra o aquecimento global. Ao lado de fotomontagens com líderes como Barack Obama, presidente dos EUA, em 2020 (já com os cabelos brancos), o texto diz: "Desculpe, nós poderíamos ter impedido mudanças climáticas catastróficas... mas não impedimos".




domingo, 29 de novembro de 2009

Falta de banho: mito ou realidade



É im-pres-si-o-nan-te, mas é só se aproximar o inverno na Espanha que começamos a ser bombardeados com propagandas de perfumes, tanto na televisão quanto em jornais e revistas. Por que será?

Conta a lenda urbana que os europeus são menos adeptos ao banho que os brasileiros. Na minha primeira experiência por estes lados em 1998, tive contato com o nada prático chuveiro tipo chuveirinho (ou seja, não é fixo na parede e portanto é necessário uma mão para segurar), muito comum acho que por toda a Europa. Pelas ruas de Paris muitas mulheres com cabelos presos, meio que tentando disfarçar a falta de água, muitos homens com cabelos pegados a cabeça e cheiro ruim normal de qualquer aglomeração em transportes públicos, mas nada mais descarado que caracterizasse uma ausência de banho.

Na Espanha a maioria dos banheiros que utilizei também tem o tal chuveirinho. É impossível tomar um banho que se preze segurando com uma mão o chuveiro e passando o sabonete com outra, por isso um chuveiro “normal” era pré requisito para alugar qualquer apartamento.

Com relação ao número de banhos, ainda que eu não possa provar, acho que a tal lenda é fato. Bom, pelo menos acho que o nosso banho é mais completo (e também menos ecológico) que o dos europeus. Prova é que essa semana a cabeleireira me disse que eu deveria lavar o cabelo três vezes por semana e com shampoo somente uma vez (tá doida?). A publicidade massiva de perfumes é outro indicio de que as dissimulações dos efeitos malignos de um suor no inverno são necessárias.


Enfim, seja como for, o disfarce funciona. Pelo menos por Sevilla as pessoas estão normalmente arrumadas, com roupas limpas e cabelos penteados e claramente duradouros (graças ao laquê por todos os lados) e por que não dizer, cheirosinhas...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ei você ai... Quer colaborar?



Faço parte de um blog coletivo que se chama BRASIL COM Z que fala sobre experiências, curiosidades e dicas de brasileiros que vivem no exterior. Estamos buscando novos colaboradores e se você vive fora do Brasil, tem um blog atualizado e gostaria de participar, pode me escrever. Buscamos gente critica, esperta, criativa, com bom gosto, que goste de viajar, que escreva bem e coisas interessantes, responsável, enfim, pessoas legais!

Quem se interessou pelo tema pode comentar que eu mando mais informações!!!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Homo sapiens curiosus - a conta dos pauzinhos



Tem coisas que a gente pensa que faz parte dos conhecimentos gerais (leia-se neste caso globalizados), mas nem tudo é tão igual em todo o mundo como parece. Vamos ver se consigo me explicar... Por exemplo, nós brasileiros ao escrevermos uma lista de coisas, se queremos aumentar as unidades colocamos “pauzinhos” ao lado (I, Γ, Π, □ e assim sucessivamente). Vocês não podem imaginar o espanto da minha colega quando comecei anotar na hora do intervalo a quantidade de cafés com leite, cortados e expressos através desse sistema. “¿Y eso qué coño es????” Ops, pelo visto tem alguma coisa errada! Pois aqui o esquema dos pauzinhos, tão difundido no Brasil, funciona de maneira diferente (claro que nem tão diferente, o pessoal costuma ser meio radical com coisas novas e nunca vistas).

Ou seja, o que para nós é:
Café com leite Γ
Expresso □
Café cortado Π

Aqui seria:
Café con leche II
Café solo IIII
Cortado III

Bastante simples, né? Pois para a minha colega parecia chinês!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

¡Basta ya!



Hoje é o Dia Internacional contra a violência de gênero. A violência machista é a primeira causa de morte entre mulheres de 19 e 44 anos do mundo inteiro. Na Espanha, a violência doméstica segue sendo um dos principais problemas do país e, pelo menos até novembro de 2009, 49 mulheres já foram mortas por seus companheiros ou ex-companheiros, algumas vezes diante dos próprios filhos.

Em 2005 entrou em vigor a Lei Integral contra a Violência de Gênero e desde então 321 mulheres foram assassinadas, uma em cada quatro com menos de 30 anos. Mas muitos coletivos sociais, ONGs e pessoas que tratam do assunto denunciam o descumprimento das leis e falhas, como por exemplo, a que considera que os efeitos do álcool são atenuantes para diminuir a culpa do “maltratador”.

A lei não alcança a todas as mulheres de forma igualitária. Mulheres “sin papeles”, prostitutas forçadas (escravas brancas), mães maltratadas por filhos o filhas maltratadas por pais encontram muitas dificultades na hora de lutar por seus direitos. As imigrantes sem documentos encontram mais dificuldades para pedir ajuda e a necessidade de denunciar acaba sendo ultrapassada pelo medo de ser deportada, mesmo que tenham o direito a receber a mesma proteção que qualquer outra mulher.


Mas como dizem por aqui, as vítimas mortais são apenas “la puntita del iceberg”, já que mostra simplesmente a que ponto pode chegar toda a discriminação que sofrem as mulheres. Não apenas espancamentos e abusos sexuais são considerados violência, mas também o maltrato psicológico, ainda que muito mais difícil de comprovar. São comportamentos intencionados executados desde uma posição de poder com a pretensão de desvalorizar, produzir danos psíquicos, destruir a auto estima e reduzir a confiança pessoal que leva a uma situação de extrema dependência ao agressor.

Salários mais baixos, jornadas de trabalho mais extensas... Fiquei bastante impressionada quando soube que as mulheres espanholas não podiam ter conta corrente e nem nenhum imóvel no seu nome até 1978, e que somente 2% de toda “terra” mundial está escriturada por mulheres.

Enfim, a lei ajuda e tenta proteger, mas os números denunciam que a violência de gênero está longe de ser coisa do passado, seja aqui, no Brasil ou em países onde as cifras são muito mais alarmantes (como a India). Ainda temos muitas batalhas pela frente...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pare o mundo que eu quero descer!



Essa semaninha promete passar voando. E espero que isso se cumpra de verdade... Minha cabecinha oca anda a mil pelo Brasil, quase que literalmente. Por vários motivos:

1) Semana que voltamos para a terrinha, de visita (ainda não é de vez não);
2) Minha pequena grande família está desestruturada, como disse o Paulo, com um membro em casa canto. Lola está sob os cuidados da Carlota, acompanhada de sua amiga (também gata) Felicia. Como voltamos somente depois do dia 15 de janeiro, achei por bem deixar a gatinha com alguém que lhe dê carinho. Meu medo é que ela goste mais da casa da Carla (da casa porque eu me garanto como dona), com pátio e tudo e renegue os seus verdadeiros donos na volta. Afinal, gato é gato. Paulo está em Lisboa trabalhando há um mês e só volta no final de semana para pegar o vôo pro Brasil;
3) 2010 promete ser um ano de mudanças. Talvez muito drásticas para o meu gosto, mas totalmente necessárias. Cabeça girando entre o “vale a pena ou não”... cansa bastante;
4) Minha eterna mania de fazer cursos sempre “pagando factura” como se diz por aqui. Resultado: trabalho além da conta e o que interessa de verdade fica de lado. Mas isso a psicologia explica;
5) Meu orientador decidiu fazer umas “mudancinhas” na minha tese... coisa mais do que normal se não fosse mudanças dos objetivos as vésperas de uma viagem de férias. Leiam-se pensamentos efervescentes;
6) Para completar, os trinta anos já começam a apitar minha campainha...

Enfim, tempo de mudanças e um montão de probleminhas normais a serem solucionados ao mesmo tempo... Tenho que começar a utilizar algo da experiência que meus trinta me deram e pensar muito bem no meu futuro próximo. Por outro lado, estou feliz da vida porque não sofro com aquela coisa chamada “rotina”, porque estou prestes a ver e agarrar meus amados que estão do lado de lá e porque vou ser titia. Afinal, problemas todos temos, é relativamente chato ser adulto e é para frente que se anda!



Tudo isso me lembrou uma música do Rauzito, Eu também vou reclamar.

"...Agora eu sou apenas um latino-americano que não tem cheiro nem sabor... E as perguntas continuam sempre as mesmas: Quem eu sou? Da onde venho? E aonde vou, dá? E todo mundo explica tudo, como a luz acende, como um avião pode voar. Ao meu lado um dicionário cheio de palavras que eu sei que nunca vou usar... Mas agora eu também resolvi dar uma queixadinha porque eu sou um rapaz latino-americano que também sabe se lamentar.. E sendo nuvem passageira não me leva nem à beira disso tudo que eu quero chegar...

E fim de papo!"



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Turistando: dicas para viajar de trem!

Estava lendo o blog Turomaquia da Patricia, uma brasileira que vive nas Canárias, e achei uma ótima e esclarecedora dica para quem pretende viajar pela Europa de trem. Eu acho trem o máximo, mas confesso que viajei pouco nesse meio de transporte tão romântico... Enfim, resolvi utilizar o prático CtrolC + CtrolV, com os devidos direitos autorais, para quem que assim como eu quer conhecer mais a Europa das janelas de um vagão.




Passes de trem para mochilar na Europa – Select Pass
(Patricia de Camargo)

Viajar de trem é uma delícia. É super europeu, ainda mais para pessoas que vem de países sem esta tradição. Mas não é lá muito barato. Para uma mochilada perfeita, o melhor mesmo é investir em um passe global, que te permite viajar de forma contínua de 15 dias a 3 meses. Agora, para aquelas pessoas que querem ter esta experiência gastando menos, outra opção é o
Select Pass.


Como funciona
O primeiro passo é selecionar o número de países da sua viagem: 3, 4 ou 5. Só que xiste um problema, não podem ser escolhidos aleatoriamente. Devem ser países que façam fronteira ou possuam conexão direta por barco. Trios como: Alemanha, Dinamarca e Itália estão vetados! Entretanto, é possível que entre os três eleitos estejam: França, Itália e Grécia, porque entre estes dois últimos existe uma conexão por mar. Depois desta primeira escolha, a próxima é o número de dias de utilização do passe: 5, 6, 8 ou 10 dias num prazo de 2 meses.




Importante para não ter problemas
Para poder começar a utilizar o passe, é necessário sua validação por um agente dos guichês da estação de trem ou de uma loja do Eurailpass, independente do tipo. É algo bem simples, um carimbo e duas datas, a do primeiro e do último dia de validade do passe. Não esqueça do passaporte, como o passe é pessoal e intransferível, é necessário um documento válido de identificação. As viagens realizadas devem ser anotadas em um espaço próprio do passe. Caso o passageiro portador do Select Pass não faça esta anotação poderá ser multado.


A regra do 7 p.m.
A primeira pergunta frequente, é: como se conta este dia de viagem do Select Pass, a partir do momento que pego o trem são 24 horas? Não. Começa a contar da meia noite de um dia até a meia noite do outro. Mas se você pegar um trem noturno direto depois das 19:00 horas, não terá que utilizar dois dias de viagem, apenas um. Isso faz com que o passageiro ganhe 5 horas a mais em cada dia de viagem!

Quando for anotar uma viagem utilizando esta regra, o que deve fazer é colocar a data da chegada e não da saída. E para aproveitar ainda mais o dia de viagem, chegue ao destino pela manhã, e utilize seu passe para fazer um bate-e-volta. Por exemplo, chegou em Munique cedinho. Deixe as coisas no albergue e escolha entre visitar o campo de concentração de Dachau, em uma viagem de 45 minutos. Ou realmente tirar o maior proveito do passe indo até Fussen para visitar o famoso Castelo de Neuschwanstein (que inspirou a Walt Disney) em uma viagem de 2 horas.


Preços
Para os menores de 26 anos, o passe Youth custa para 5 dias em 2 meses, escolhendo:
3 países – 211€
4 países – 235€
5 países – 260€


Vale a pena
Para sentir esta atmosfera do trem, e realizar viagens bem longas, principalmente nos países mais caros. Se quiser mochilar em um único país, escolha os passes – One Country Pass, bem mais baratos. O Irlanda Pass de 5 dias em um mês custa para jovens – 128€.

De qualquer forma, eu ainda acredito que este tipo de viagem deliciosa e meio maluca não se faz sempre, e para ser bem doidona mesmo, o melhor é investir em um Global Pass contínuo e virar do avesso a velha Europa!


Mais detalhes no próprio Turomaquia!
A melhor época e o melhor passe de trem para o Mochilão Europa
Mochilão: tempo de trem entre cidades européias

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Festival de cinema em Sevilla!

Uma notícia para os amantes da sétima arte. Começou na semana passada o Sevilla Festival de Cine Europeo, que durará até o dia 14 de novembro.

Este ano o festival vai homenagear o cinema britânico, repassando alguns dos melhores títulos de sua cinematografia e abrindo espaço aos novos talentos. Destaque para “
Das Weisse Band” de Michael Haneke, “Looking for Eric” de Ken Loach, “Un Prophète” de Jacques Audiard e “Vincere” de Marco Bellocchio.

Está programada uma seleção de filmes do cineasta Nicolas Roeg e o espanhol Fernando Trueba receberá o prêmio de Honra do Festival por sua carreira, projetando sua ultima produção “El baile de la Victoria”, selecionada para representar a Espanha no Oscar. O filme “Triage” protagonizado por Colin Farrell e pela sevilhana Paz Veja será apresentando no ato de inauguração do festival.

A programação oficial pode ser consultada
aqui.

sábado, 7 de novembro de 2009

Turistando: o Algarve de verdade...


Fiquei devendo um post sobre os detalhes do tal acampamento no Algarve, Portugal.

Se você não conhece o Sul de Portugal, mas já ouviu falar sobre o Algarve ou viu fotos deve imaginar que a paisagem é linda, cheia de falésias que formam praias encantadoras com águas cristalinas e um pôr do sol maravilhoso... Bem, realmente é assim, mas não em toda costa.

Nas minhas outras viagens à região eu tinha ido direto à cidade de Faro e Albufeira e desta vez decidimos ver “qual é” a das praias mais próximas da Espanha. Não ouso chamar nenhuma paisagem natural de feia, muito pelo contrário. Mas em minha opinião, o espetáculo do Algarve começa mesmo cerca de Albufeira. Posso dizer que conhecemos umas quantas prainhas e nada se compara com a beleza das praias com falésias.

Já estava um pouco decepcionada quanto decidimos avançar alguns quilômetros em direção a Portimão, em busca de um pouco mais de alegria para os olhos. Foi quando encontramos a praia de Benagil . Noooossa, era isso que eu queria ver deste o principio! Uma prainha bem pequena, rodeada de falésias e com barquinhos coloridos. Linda! Passamos todo o dia ai e só fomos embora quando a sombra do morro trouxe o frio. Na volta para casa, mais uma descoberta: a praia da Marinha. Outro espetáculo da mãe Natureza. Paisagens exuberantes, um céu inexplicável e um silêncio quase absoluto no final da tarde.

Fica ai a dica. Se você vai com pouco tempo ao Algarve, vá direto ao que interessa!

Voltamos ao camping maravilhados com tantas imagens guardadas na memória. E nas fotos que o Paulo aproveitou para fazer, claro...












Mais fotos no Picasa!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

I gotta feelin...



Essa música toca por todos os lados aqui...


"I gotta feelin
That tonight's gonna be a good night
That tonight's gonna be a good night
That tonight's gonna be a good good night..."


Não sai da minha cabeça e me lembra muito uma época da minha pós adolescência quando eu saia com a minha amiga Elisa (hoje professora séria) e diziamos: "A noite promete!" Bons tempos... quando a gente era o que era e não tinha que provar nada para ninguém...

sábado, 31 de outubro de 2009

Eu avisei...


Logo que ela começou (a crise, não queria nomear a dita cuja mas talvez o texto ficasse incompreensível) eu avisei: se cuidem com os roubos! Dito e feito, o número de delitos cresceu 17% na Espanha em 2008.



Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estadística (INE) indica que durante o ano passado foram cometidos 250.201 delitos, e ainda que tenha diminuído os índices com lesões corporais, aumentaram os relacionados com a “seguradad vial”, ou seja, pequenos crimes que ocorrem nas ruas (44% do total).


A maioria dos condenados é de nacionalidade espanhola (70,3%) e entre os estrangeiros os americanos lideram o ranking com 38,7%. A Andalucía também está a frente ao número de condenas, 21,3% de todas as que ocorreram na Espanha.

Resumindo, aconteceu o que era inevitável. Sem dinheiro no bolso, o desespero fala mais alto e os pequenos “atracos” aumentam. Infelizmente, não só isso. Tem mais gente pedindo dinheiro (ou cigarro!) e comida na porta do supermercado, dormindo na rua, revirando lixo, cuidando carro e até lavando pára-brisa nos semáforos e vendendo lenços de papel entre um sinal vermelho e outro. Nesses quatro anos que vivo aqui, já notei uma diferença e tanto, principalmente nestes dois últimos anos.

Mas no geral, não me sinto mais ou menos ameaçada. Nós, brasileiros, estamos acostumados a dar aquela “olhadinha” para trás de vez em quando e atravessar a rua quando algum “suspeito” vem na tua direção. O “pseudo” clima de tranqüilidade que a Europa transmite, muitas vezes faz a gente baixar a guarda. Mas nunca fui assaltada por aqui e tampouco conheço tanta gente que foi. O certo é que Sevilla não é uma capital como Madrid e Barcelona (onde sim conheço muitos casos de assalto) e por tanto pode ser mais “segura”, mas não é bom bobear. Eu sempre digo para quem vem me visitar e relaxa pensando que por aqui é todo mundo do bem: estamos na Europa, mas ladrão existe em todo lugar! E principalmente nos locais turísticos, onde o pessoal anda mais desligado.

Enfim, com o aumento dos “carteristas”, como se chamam os batedores de carteira, as dicas para evitar um contratempo durante uma viagem aumentaram. Não existe um perfil do tipo em questão, mas os expertos no assunto dão algumas pistas:

No metrô: dizem que costumam levar uma jaqueta e um jornal na mão para despistar. Ao entrar no vagão dão um empurrão na vítima, que se desconcerta e acaba sendo roubada sem nem perceber.
Na estação de ônibus: atuação em dupla. Um dos espertinhos deixa cair alguma coisa no chão, a vítima se abaixa para ajudar a pegar e enquanto isso o outro malandro rouba uma das malas. Também acontece de um deles te pedir uma informação com um mapa enorme, e enquanto tu tentas ajudar o “amigo” a se localizar, o outro vem e leva uma das tuas bolsas. Na Estación Sur de Autobuses de Madrid está cheio de cartazes explicando como os carteirista atuam, para tentar evitar a propagação dos pequenos roubos.

A única coisa boa disso tudo (boa?) é que normalmente os delitos não são cometidos a mão armada, o que eu considero um grande lucro. Não sei se algum dia a Espanha chegará a esse ponto, imagino que não... mas pelo andar da carruagem, a coisa pode ser que esteja se encaminhando. Veremos.


Os 10 destinos onde se deve andar mais atendo aos “carteristas”.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Obras&Músicas


Ultimamente tenho tudo para acordar de mau humor. O condomínio onde moro está reformando toda a fachada, com direito a pintura geral e substituição do piso nas sacadas e impermeabilização das mesmas... ou seja, praticamente todo o dia acordo com o ruído de uma britadeira. Isso quando os pedreiros não esquecem o dedo no interfone (béeee – é ensurdecedora a campainha) às 8 da manhã para pedir para entrar pela minha sacada. Como se não bastasse, Dona Lola deu para miar pela manhã e pedir para subir ao terraço comunitário (eu moro no último andar e às vezes a deixavaela subir um pouquinho, mas depois de uma semana de visita aqui em casa, minha mãe (vó) estragou a minha gata com seus mimos).

Vejam bem, estou escrevendo a minha tese de doutorado e posso afirmar que não sou a pessoa mais apegada a horários fixos. Normalmente minhas horas de estudo são pela manhã e pela noite (o conceito de tarde aqui é relativo) e não costumo acordar antes das 9:30, hora que teoricamente deveria tocar meu despertador, já que sempre vou dormir bastante tarde e minhas 8 horas de sono são sagradas.

Então, quem aguenta? Eu moro de aluguel e convenhamos, não votei em reformar o edifício justo quando meus neurônios devem mais funcionar para terminar logo essa tese. Ai vem o lado legal da história. Eu moro do lado do Conservatório Superior de Música e da Escuela Superior de Arte Dramático. Não lembro se já comentei aqui no blog que às vezes parece que tem uma cantora de ópera na minha janela. Isso poderia ser a gota d`água nas minhas manhãs, mas o pessoal parece ser bom e ter um ótimo gosto musical. Já acordei ao som da trilha sonora do House e essa semana começou com "I believe in miracles" e "We are family". Hoje parece que vai tocar todo o CD do Dirty Dancing, começando por aquela "So won't you, please, (be my, be my baby) Be my little baby, (my one and only baby) Say you'll be my darling..." Eu curto, principalmente quando as aulas são de música clássica ou de dança. As de teatro confesso que irritam um pouco, porque eles gritam muito e eu não consigo entender os diálogos (sorte que essa classe é mais tarde e já estou acordada faz tempo).

Quando me canso dos artistas, fecho a janela e pronto, nada de barulho. Pena que não posso dizer o mesmo com relação a essa maldita obra.

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