Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Turistando: passeio pelo centro de Pest



No final do século XVII, grande parte de Pest estava em ruínas e a população era bastante reduzida. Nas décadas seguintes foram criados distritos residenciais que são atualmente bairros centrais. No século XIX, os planos urbanísticos atraíram casas e alguns blocos de apartamentos, com lojas e cafés, além de edifícios administrativos. Foi quando Pest superou Buda como centro de indústria e comercial, em grande parte devido à comunidade judia residente no local, que desempenhou um papel muito ativo na expansão da zona.



A Rua Váci (Váci Utca) está localizada no centro de Pest é uma das zonas com maior concentração comercial da cidade. É muito bonita, com exemplos arquitetônicos de diversas épocas, vários cafés e lojas.

Um belo passeio é ir a pé pela Váci até o Mercado Central. Particularmente, adoro mercados e o de Budapest não me decepcionou. Tudo muito organizado, amplo, limpo, com uma riqueza arquitetônica impressionante. Outra boa dica é comer por lá. Comida típica, boa e principalmente, barata. Tudo com muita, muita páprica, mas super gostoso!



Sábado, 11 de Julho de 2009

Turistando: Um passeio por Buda



A cidade de Buda cresceu ao redor do Castelo e da Igreja de Matias a partir do século XIII. Situada a 60 metros sobre o Danúbio, sua posição estratégica e seus recursos naturais a converteram em um enclave apreciado pelos primeiros habitantes. Logo após as primeiras ocupações, surgiu um imenso povoamento e depois de uma primeira invasão tártara, o rei decidiu construir uma fortaleza e estabelecer ali sua capital. Durante o reinado de Matias no século XV, Buda evoluiu bastante, mas logo os turcos a invadiram e posteriormente as cristãos arrasaram a cidade. Sob os Habsburgo durante os séculos XVIII e XIX a cidade renasceu e desempenhou um papel importante na história do país. Mesmo assim, depois da Segunda Guerra, Buda se encontrava destruída quase por completo e o palácio Real havia sido queimado.

É difícil passear pelas ruas do distrito do Castelo e não perceber algo suspeito no ar... Esta zona da cidade foi reconstruída quase por completo, o que em parte devolveu a Buda o seu antigo esplendor e por outro lado nos mostra certa “realidade inventada”. É tudo relativamente novo e ao mesmo tempo parece que nunca foi destruído. Tudo bonitinho, pintadinho, ordenadinho demais, mas também pode ser bastante encantador.

Por ali também encontramos um dos pontos mais turísticos da cidade, o Bastião dos Pescadores com vistas maravilhosas de Pest, a Igreja de Matias, obviamente o Castelo, além de alguns museus e galerias, como a Biblioteca e a Galeria Nacional da Hungria.



Matias - Funicular - Vista de Pest e Ponte - Senhora húngara

Como nosso apartamento estava localizado em Buda, chegamos facilmente a pé ao seu centro antigo, mas a maneira mais fácil de chegar ali para quem se encontra em Pest é através do funicular, localizado justo na Ponte Széchenyi Lánchíd (ou ponte pêncil, também conhecida como ponte das correntes). O trajeto é rápido e as vistas não são grande coisa, mas se economiza em caminhada. Outra opção é subir o morro a pé... e aproveitar a parada em frente a ponte. Ai sim as vistas são lindas e o tempo passa sem a gente perceber...

Turistando: Buda & Pest unidas pelo Danúbio





Já faz tempo que estou devendo um post sobre a nossa viagem à Budapest. É muito comum que a turistada conheça a cidade ao fazer o triângulo “Praga-Viena-Budapest”, mas a capital Húngara tinha ficado fora dos nossos planos no ano passado porque decidimos conhecer Bratislava (e não sobravam recursos para tudo!).

A Budapest atual é a junção de duas cidades Buda (e Obuda) e Pest que, separadas apenas pelo Rio Danúbio, se unificaram estimuladas pelo império austro-húngaro ainda no século XIX. A história de Budapest é marcada por invasões de território, lutas e conquistas, por construções, destruições e reconstruções. Foi arrasada diversas vezes e voltou a ser construída. Muitos exemplares do patrimônio arquitetônico atual são reproduções.


Depois da Primeira Guerra Mundial a monarquia caiu e Hungria perdeu dois terços de seu território. O desejo de retomar-lo contribuiu que o país apoiasse a Alemanha durante a Segunda Guerra. No entanto, Budapest foi tomada pelas forças russas em 1945 que arrasaram a cidade. Depois disso viveu sob o comando comunista, até o ano de 1990 quando as eleições livres deram vitória à oposição democrática.

Impossível não comprar com outras cidades do leste europeu que conhecemos. Muito mais cosmopolita (dentro do possível) que Praga o Bratislava, Budapest é uma cidade viva e alegre. Seus habitantes são muitos simpáticos, prestativos e o principal: se comunicam bastante bem em inglês. Ainda que a grande maioria das informações esteja sempre em húngaro, a cidade não é caótica, não vi correria no metrô, nenhum empurra-empurra ou gente mal humorada. O que vimos foi uma explosão de McDonald`s e Burger King, alguns Shopping Centers e uma cidade em obras. E alguns vestígios do comunismo...

Budapest é uma cidade com cerca de 1 milhão e 700 mil habitantes. Uma semana é pouco tempo para conhecer toda a cidade e os seus arredores. Dizem que o interior da Hungria é muito interessante, mas que ficará para uma próxima visita. Turistamos por Buda e por Pest durante 6 maravilhosos dias. Paulo e eu tínhamos um bom motivo para viajar para a Hungria: mamãe! A dupla Graçaliz e Rocha estavam mais uma vez por aqui (trabalhando e turistando) e aproveitamos para matar a saudade. Alugamos um apartamento em Buda que foi bastante econômico. Assim como Praga e Brastislava, Budapest ainda não usa o Euro e a moeda oficial é o “forint” (1 euro vale em média 270 forints) o que faz muitos produtos serem mais baratos que na Espanha.

A viagem foi linda e bastante tranquila. Vou separar os posts em dicas sobre a cidade e quem quiser conferir as fotos pode visitar o Picasa!



Budapest

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Jovens "ni ni"


A Espanha do século XXI está vendo crescer uma nova geração de jovens desiludidos, perdidos e apáticos. Uma pesquisa realizada recentemente contou que 54% dos jovens situados entre os 18 e 34 anos dizem não ter nenhum projeto de vida que lhe interesse ou estimule especialmente. São a categoria de adolescentes (ou nem tão adolescentes assim) reconhecidas pelos sociólogos como os “ni ni”: “ni estudia, ni trabaja”. O antigo lema, "não quer estudar, vai trabalhar", já não funciona mais - até mesmo porque, hoje em dia, não há emprego para todos – e o conforto da casa dos pais acaba prevalecendo sobre a busca de sonhos, o “começar de baixo”, o lutar pela independência e até mesmo o ter uma profissão ou um diploma.

A crise aumentou a insegurança de uma geração que cresceu em famílias estruturadas economicamente (se comparamos com a família que seus pais foram criados), com um contínuo aumento da qualidade de vida. Atualmente o que se encontra são condições de trabalho deterioradas e, em muitos casos, uma formação profissional desvalorizada. As vantagens de ser jovem em uma sociedade mais rica e tecnológica, mais democrática e tolerante, contrastam com as dificuldades crescentes para se emancipar e desenvolver um projeto de vida futuro.

Acho que no Brasil estamos mais acostumados a viver na "corda bamba”. Na terrinha a crise do mercado de trabalho existe há muito tempo, mas ao contrário daqui, um bom diploma pode conseguir um bom salário. Na Espanha é mais fácil encontrar um emprego para o qual não faz falta ter ido à faculdade (e ainda assim ter um salário digno). Por outro lado, a maioria dos jovens não se considera em condições de pagar uma hipoteca (única maneira de adquirir um imóvel), pois os valores das parcelas são altíssimos. Também acham desperdício pagar aluguel (que é realmente bastante caro, quase o preço de uma hipoteca). Assim, fica mais fácil aproveitar o quartinho na casa de papai e a comidinha pronta na mesa. A tardia emancipação espanhola é de conhecimento público: 30 anos.

Enfim, com todos esses problemas mundiais, como a crise financeira e a deterioração do mercado do trabalho, o que nos faz seguir adiante são os nossos sonhos. Nunca devemos desistir dos sonhos e todos nós devemos ter um (ou uns) para tocar a vida e ser felizes. Acomodar-se com o conforto da casa dos pais pela simples falta de ânimo e desilusão com a vida, é muito triste. Se for pelas circunstâncias de uma determinada etapa, até que está valendo, mas desde que as aspirações e anseios por um futuro bom (e obviamente um presente bom) sejam as metas.




Fonte: El País

Domingo, 21 de Junho de 2009

Ele sabe tudo...


Em Sevilla,










Em Pelotas...

Sábado, 20 de Junho de 2009

Um calorzinho bom...


Na madrugada de quinta-feira a temperatura mínima não baixou dos 26,6 graus, ou seja, a mínima mais alta registrada em Sevilla nos últimos 30 anos.

Afeee! Não há quem consiga ter uma boa noite de sono assim. Os espertos dizem que para dormir-se bem, a temperatura ambiente deve estar em torno dos 20 graus. Como eu não gosto de dormir com ar condicionado ligado (e também não estou podendo arcar com as despesas de uma conta de luz que, seguramente, chegará às alturas), a solução é o bom e velho ventilador. Mas ele não dá conta não! E o pior de tudo, o ventilador que comprei ano passado no “chino” (lojas de imigrantes chineses que são tipo os 1,99 do Brasil) não “ventila” duas pessoas... Solução B, comprar outro e lotar o meu super apartamento de menos de 50m2 de ventiladores! E olha que o verão ainda nem começou “oficialmente”.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

94 o quê?


O que tu farias com 94 milhões de euros?

Em tempos de crise generalizada, de desemprego e de falta de créditos, essa é a pergunta da vez por aqui... Os bancos espanhóis não emprestam dinheiro para ninguém (para quem realmente precisa, para quem não quer fechar a sua pequena empresa - e assim gerar mais desemprego - para quem quer continuar pagando suas dívidas, enfim, a lista é longa) porque dizem que estão quebrados. Mas, como todo mundo sabe, para trazer o "Cris" a bufunfa apareceu... E pior, inflacionou o mercado "futebolístico".

Este é o tipo de mundo em que vivemos, onde a maioria luta para sobreviver e "chegar al fin del mes" enquanto uma minoria já se sabe o que faz... no bom espanhol, "caga" para o resto.

Não costumo acumular ódio no coração, mas esta temporada estou torcendo para que o Real Madrid se exploda. Afinal, eu sou Xavante!

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Vem chegando o verão...




O verão na Europa se aproxima… Em Sevilla parece que já chegou. Enganam-se aqueles que pensam que pelos lados de cá o calor é menos intenso, principalmente nos países mediterrâneos. Sevilla é uma das cidades mais quentes e secas de toda a Espanha, um verdadeiro caldeirão. No auge do verão os termômetros beiram os 50 graus e às 9 horas da noite é muito comum ainda estarem por volta dos 35, 40. A praia mais próxima está a uns 80km mais ou menos. Alguns podem se perguntar, e como se vive em um clima assim? Sobrevive-se, claro.

Os sevilhanos natos já sabem de todos os truques para tentar diminuir a sensação de calor. Os estrangeiros, pouco a pouco, acabam aprendendo as “manhas”… Por exemplo, nas casas, ar condicionado é um artigo de extrema necessidade, nunca alugue um quarto ou um apartamento que não tenha pelo menos um bichinho desses. As janelas devem permanecer com os vidros e persianas fechados durante a maior parte do dia. O ar que vem da rua chega a queimar as narinas, portando colaborar com a inércia térmica é fundamental. Pela noite se abrem as janelas e se deixa correr um ventinho (claro, quando ele aparece), mas não devemos esquecer-nos de fechar tudo na manhã seguinte.

Mas não é só isso. Os horários das atividades cotidianas também se adaptam ao clima. Muitas lojas comerciais, supermercados e prestadores de serviços fazem horário de verão e funcionam apenas pelas manhãs. Alguns abrem pela tarde, lá pelas 18:30, já que depois das duas até mais ou menos por esse horário é bem comum encontrar as ruas completamente vazias. Aqueles que podem estão dormindo a “siesta” ou simplesmente fugindo do “inferninho”. Fora de casa, somente os desavisados (como eu costumo chamar os turistas que vêm à Sevilla em pleno agosto) ou os pobres coitados (quem não tem alternativa).


Cortinas exteriores na janelas - abanicos - tinto de verano

O lado bom é que as noites são ótimas e te chamam para tomar aquela cervejinha ou um “tinto de verano” num dos inúmeros bares ou “terrazas de verano” da cidade. É impressionante, mas depois das nove horas da noite parece que toda a população está na rua e não há buteco que não tenha clientes. Também são realizadas várias programações culturais ao ar livre, como projeção de filmes e shows. O lado ruim é que para dormir também é complicado e impossível antes da meia noite, um pesadelo para quem precisa acordar cedo (que é recompensado com as horas de “siesta” pela tarde).

Isso é um ótimo exemplo de como o homem adapta-se ao meio em que vive. No principio foi difícil, pois como viemos de uma cidade do Brasil que é bastante úmida, fazíamos exatamente ao contrário: abríamos as janelas para “ventilar” (não dá para imaginar a massa de calor que entrava todos os dias).

Para quem vem à Sevilla fazer turismo, os meses de verão são uma péssima época, principalmente agosto. Passear no sol vira um pesadelo no deserto, isso que eu considero a cidade bastante arborizada e além do mais, a prefeitura “cobre” as principais ruas do centro antigo con toldos (como na foto). As dicas para quem se arrisca a enfrentar o desafio são: carregar sempre água (que em 5 minutos fica morna), ter um abanico (é o famoso leque da vovó, que aqui é um acessório feminino fundamental e que não sai de moda), usar roupas leves e claras, chapéu, protetor solar, sapatos confortáveis e evitar sair nas horas “pico” de calor. Se não cuidar dos detalhes, frita de verdade!

Domingo, 24 de Maio de 2009

Na correria?


Alô, alô! Nossa, já faz quase 3 semanas que o blog está parado. Mas é que aquela maldita falta de tempo está pegando no meu pé. Odeio me desculpar e dizer que estou atrapalhada, cheia de coisas para fazer, ou a pior delas, na “correria”. Detesto quem diz que não tem tempo porque está na correria... só na correria então, bem pior.

Enfim, acho que o seu tempo cada um organiza como quer, de acordo com as suas prioridades. O dia tem 24 horas, e muitas vezes deveria ter 25, 26. Mas se assim fosse, as horas a mais também seriam ocupadas com outras tarefas e sempre faltariam minutos para dar cabo de tudo, principalmente para quem vive correndo.

Nunca fui daquelas que vivem na maratona, mas é certo que desde que cheguei à Espanha o meu conceito sobre tempo mudou bastante. Aqui na Andalucía as coisas acontecem lentamente (em diversos aspectos) e devemos nos adaptar se queremos viver bem e melhor. Fiquei (um pouco) mais tranquila. E isso faz muito bem para mim.

Todo esse blábláblá é para dizer que não tive tempo (melhor, não quis ter tempo) para postar sobre coisas legais que fizemos por aqui. Quero falar sobre um casamento espanhol, sobre a nossa viagem à Budapest (ma-ra-vi-lho-as), sobre festa com os amigos... mas agora estou na correria, saindo para um almoço de domingo (feijoada brasileira) na casa da Lú. Isso sim, outra coisa que percebi aqui e que muita gente esquece: o tempo para ficar com quem a gente gosta e gosta da gente é sagrado, deve sempre existir, ainda que a correria te puxe pelo pé.


Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Feria de Abril: Entrevista


Este ano fui à Feria de Abril duas vezes. Um dos grandes problemas da Feria é como chegar até lá. As opções são de carro (pagando estacionamento), de ônibus (lotadíssimos), de metrô (novidade, mas não passa nem perto da minha casa), de sevici (bicicleta pública), de carruagem (chique demais para mim) ou a pé mesmo.

No primeiro dia, bem que tentamos pegar um ônibus, evitando assim uma caminhada de 45 minutos ou pegar uma bicicleta e não conseguir estacionamento. Foi impossível, era feriado e dá para imaginar a quantidade de gente que se deslocava até a festa. Enfim, fomos e voltamos a pé. No segundo dia foi bem mais tranqüilo, pois era um dia de semana normal, mas mesmo assim fomos apertados (bem apertados) dentro do ônibus.

Nesse último dia fui entrevistada por umas gurias que deveriam ser de alguma faculdade. Não, não era nenhuma rede de televisão, pelo menos não parecia e eu também não perguntei. Acho que o que eu disse para elas (ou deveria ter dito, mas não disse) explica bem o que eu penso sobre a Feria de Abril. Abaixo a entrevista, na íntegra (como o que eu disse e com o que eu deveria ter dito), devidamente traduzida, óbvio:




De onde você é?
(Poxa, tá tão na cara que não sou daqui??? Eu vim com uma flor, não tá vendo meu disfarce?)
Sou brasileira.

Do Brasil?
(Não. Sou brasileira da Martinica. De onde mais poderia ser?) Sim, do Brasil.

É o seu primeiro dia na Feria?
Não, na verdade já vim outro dia. E em outros anos também, já que moro aqui em Sevilla.

Ah, você mora aqui?
(Ahammm)
Sim, há três anos e meio.

E você gosta da Feria?
É, se pode dizer que eu gosto de algumas coisas da Feria.

O que você mais gosta da Feria?
Gosto das cores.

Da cor?
(Das coressssss...) Gosto do colorido, da variedade de cores, dos vestidos das mulheres, do passeio de cavalos. Gosto de ver a movimentação, das criancinhas com traje igual ao da mãe, de ver como dançam, enfim... A Feria é uma festa dos sevillanos da qual eu não faço parte. Esta festa não é minha, eu venho ver, admirar, mas não participo de nenhuma forma. (Poderia ter acrescentado que a Feria, em minha opinião, é elitista demais. As casetas são particulares e se não for convidado, não entra. Ou seja, ou vai para uma caseta pública lotada de gente, ou fica de fora. Do lado de fora fica muita gente por opção, e outros tantos porque não tem alternativa. Tá cansado, com fome ou sede? Fica de pé, entra na fila do bar de uma caseta pública e espera meia hora para ser atendido...enquanto isso, nas privadas o pessoal se diverte, dança e ri sem apertos. Fazer parte de uma caseta custa caro, bem caro dizem. Realmente não é para qualquer um. E aqui no meio deles me sinto apenas mais uma... este ano até recebi convite para entrar numa caseta privada – amigo do amigo do amigo me convidou – mas não fui.)

E o que você menos gosta?
Quando a Feria está cheia demais. Por isso vim hoje pela manhã, para estar tranqüila e poder fazer fotos. Não gosto quando começa a aglomeração de gente e não dá para nem para caminhar.

Pensas em voltar este ano ainda?
Pois tô achando que esta é a minha despedida da Feria de Abril de Sevilla.

E ano que vem?
Não sei, não sei... (Sabe-se lá Deus onde andarei ano que vem...)

Gracias.
De nada.


Depois disso, passeamos mais um pouco e o Paulo fez várias fotografias. Para ver clique aqui.

Domingo, 3 de Maio de 2009

Feria de Abril: Paseo de caballos


O passeio de cavalos é uma das atrações mais lindas da Feria de Abril. A partir do meio-dia e até as oito horas da noite as ruas do Recinto Ferial lotam de carruagens, cavaleiros e amazonas que desfilam livremente e convertem a Feria num verdadeiro espetáculo. É uma alternativa para deslocar-se pelo Recinto (já que qualquer outro veículo está proibido), mas o objetivo maior é “mostrar-se”, já que quem tem um cavalo ou uma carruagem são as pessoas com maior “status” social. Também existem carruagens “públicas” que fazem a função de taxi. Mesmo assim, o passeio não é para qualquer mortal, já que o preço que se cobra por uma voltinha é bastante caro.

É tudo muito regulado e existem muitas normas. O acesso ao Recinto Ferial é limitado aos veículos cadastrados. Junto à Portada há uma espécie de “aduana”, ou seja, um fiscal confere as placas de quem entra e quem sai da feria. Todos devem seguir uma espécie de circuito, que marca o sentido de circulação das ruas. Recentemente a Prefeitura limitou o número de acesso das carruagens à Feria, permitindo a entrada ao recinto para as placas pares e impares em dias distintos. Para manter a segurança dos pedestres e o fluxo, se estabelece um número máximo de veículos de tração animal particulares (700) que poderão aceder ao recinto durante o horário do passeio de cavalos.

As carruagens devem ser sempre conduzidas por um ou dois cocheiros maiores de idade. Quando os engates possuam três ou mais cavalos, obrigatoriamente o cocheiro deverá levar um acompanhante. Não se permite um cavaleiro/amazona que não esteja vestido de forma tradicional: homens com traje curto e com chapéu de aba larga e mulheres com o traje de amazonas (com calças ou saia) e também com o mesmo chapéu, ainda que também possam vestir o traje de flamenca. Os cocheiros e inclusive qualquer ajudante, também devem estar vestidos a rigor, dependendo do “estilo” ou “luxo” da carruagem que estão conduzindo.




A variedade de veículos é grande: cores, número de cavalos, quantidade de cocheiros... Também se permite que mulas puxem as carruagens. Mas são todos igualmente espetaculares, cada um a sua maneira. Os cavalos são muito bem cuidados e lindos! Veterinários inspecionam o estado físico dos animais, que devem estar em dia com o controle sanitário.

Vale muito a pena ir à Feria durante o dia e apreciar esse peculiar “paseo de caballos”.


Sábado, 2 de Maio de 2009

Feria de Abril: Calle del Infierno





Dizem que a Calle del Infierno é o lugar preferido dos mais pequenos. Tenho minhas dúvidas se são só eles que curtem esse imenso parque de diversões que conta até com um circo.

Ocupa uma superfície de 64 mil metros quadrados onde encontramos desde montanha russa e roda gigante até carrossel e auto choque. É comum também tiro ao alvo e uma espécie de bingo, que até hoje não identifiquei muito bem o que é... Ao total são mais de 500 atividades. Foi ai que encontrei o brinquedo mais bizarro de toda a minha vida: carrossel com pôneis. Tudo normal se não fosse o detalhe que os animais estavam vivos e passavam o dia andando em círculos, e pior, para o mesmo lado!!! O circo atrai milhares, o único problema é que ainda conta com animais...

Como qualquer parque de diversões, as cores, as luzes e principalmente a poluição sonora dos brinquedos reinam absoluto. Eu, particularmente, adoro! O mais legal da Feria é a Calle del Infierno.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Feria de Abril: Canto e baile


A música e a dança típicas da Feria de Abril são as “sevillanas”. Sua origem remonta a época dos Reis Católicos, quando as composições eram conhecidas como “seguidillas castellanas”. Com o tempo evoluíram e foram se parecendo mais ao flamenco. A partir do século XVIII a música começou a ser também dançada, até chegar ao que se conhece atualmente. Hoje em dia é considerada uma das tantas variações do “baile flamenco”.

Desde as primeiras Ferias de Abril já se dançava e cantava sevillanas, mas somente em 1884 foram reconhecidas e a palavra incluída no Dicionário da Língua Espanhola.

Nas sevillanas existe uma variedade infinita de temáticas, entre as quais podemos destacar as mais relevantes: regionalistas, amorosas, rocieras, corraleras, etc. A dança pode ser mais rápida ou mais lenta, dançada em pares, salvo exceções e combinações experimentais onde o baile é executado em uma formação com várias pessoas ao mesmo tempo, ao som das quatro estrofes em que se divide a sevillana. Anteriormente, uma sevillana completa era composta de sete estrofes, mas ainda hoje se escutam pessoas cantando assim. Os passos da dança são 4: paseíllos, pasadas, careos y remate. Ao final da última estrofe o baile e o canto coincidem, ou seja, as pessoas param de dançar e esperam que cheque a próxima voz. Muitos cantam ¡Olé! quando param de dançar.

Em todas as casetas encontramos um espaço para o baile, um “tablao”. A música é na maioria das vezes mecânica, mas em muitas casetas às vezes existe som ao vivo. Não sei dançar nem sevillana, nem nenhum tipo de baile flamenco, mas aprecio quem sabe e acho muito bonito. É certo que durante a Feria encontramos verdadeiros pés de valsa e outros que simplesmente balançam os braços, isso é normal. O engraçado é que as duplas não necessariamente precisam ser entre homens e mulheres, aqui pode dançar mulher com mulher também!

Quem quiser saber realmente o que é um baile sevillano, por favor, veja os vídeos abaixo. É muito melhor e mais divertido do que tentar entender com palavras... O primeiro vídeo é da Feria de 2006, minha primeira Feria e o segundo é da Feria de Dos Hermanas (pueblo de Sevilla), no ano de 2007. Em cada um deles tem um brasileiro, amigos meus, vamos ver que encontra! :)






Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Feria de Abril: Comes e bebes



Com certeza comer e beber são dois prazeres desfrutados pelos sevillanos na Feria de Abril. A festa começa com a chamada noite do “pescaíto”, celebrada antes que se produza o “alumbrao” (comentado em post anterior). Como seu próprio nome indica cada caseta serve peixe frito para duante o jantar. A variedade é grande: anchovas, lulas, “adobo”, “chocos”, “boquerones”, “pijotas”, “cazón”, camarão, entre outros (normalmente à milanesa).

Cada caseta tem a sua própria cozinha e as comidas não costumam variar muito de uma para outra. Também se come tortillas de patatas, chacinas ibérica, langostinos (camarão), bocadillos (pão com alguma coisa dentro, normalmente frango, pimentão frito ou jamón, sem maionese e bem “seco”), pimientos fritos, revueltos, salmorejo, gazpacho, caldo de puchero, enfim, muitos pratos típicos da cozinha andaluza.



Salmorejo, tortilla de patatas, langostinos a la placha, bocadillos, queso manchego, jamón ibérico, caldo de puchero, pescaíto frito, churros con chocolate.


O tradicional churros com chocolate também é encontrado na Feria. O churros espanhol em nada se parece com o brasileiro (vendido como sendo espanhol!), não é recheado, é mais fino, não leva açúcar e acompanhado de uma taça de chocolate quente.

Muitos dizem que na Feria de Abril não se come, se “pica”. Ou seja, se belisca um pouco de tudo. A maioria das pessoas passa o dia “picoteando” e esquece se é almoço, merenda ou janta!

Para acompanhar a comilança ou simplesmente matar a sede, nada melhor que a onipresente manzanilla, um tradicional vinho fino típico andaluz original de San Lúcar de Barrameda. Também se toma o vinho de Jerez (que como seu próprio nome indica provém de Jerez de la Frontera) , muita cerveja e, durante os últimos tempos, o chamado “rebujito” (manzanilla, sprite e gelo).

¡Que aproveche!

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Feria de Abril: Trajes


Durante a Feria de Abril, qualquer sevillana que se preze, se veste com o traje de flamenca (ou simplesmente se veste de sevillana) para ir à festa. Melhor dito, nem todas. Como tudo na vida, a Feria também tem seus dois lados, o dos que gostam e dos que não gostam do “alvoroço”. Assim como tem gente que não gosta de carnaval, também existem sevillanos que detestam a Feria. Mas não é desse pessoal que estou falando essa semana: este espaço está dedicado aos amantes da Feria de Abril.

Obviamente, o traje também teve sua origem na feira de gado. O espaço não estava dedicado apenas aos homens, um grande número de mulheres, campesinas ou “gitanas”, lhes acompanhavam. Suas roupas eram humildes batas de algodão com saias de babados, mas que realçavam o corpo. Com o passar dos anos acabaram virando moda e as mulheres de classes altas começaram a imitar as mais pobres. Desde o ano de 1929, o traje é considerado a vestimenta oficial do evento.

O traje de flamenca evolucionou com os anos. A humildade dos primeiros tecidos deu lugar a uma profusão de saias, que permitiam um andar e um "bailar" mais alegre. Suas características foram se modificando com o passar do tempo, sendo considerado um dos poucos trajes típicos que variam conforme a moda.



Basicamente se trata de um vestido longo, normalmente até o joelho (embora existam alguns modelos mais curtos), enfeitado com vários babados tantos nas saias quanto nas mangas, confeccionados com tecidos de cores alegres (muito alegres) lisos ou estampado de bolinhas, com decote em V, redondo ou quadrado. O cabelo tradicionalmente é preso com coque, com uma “peineta” e uma flor, mas também pode ser solto. Os acessórios são brincos, colares e pulseiras muito coloridos, alguns em forma de bolas. O traje se completa com um manto colorido sobre os ombros e sapatos coloridos combinando com o vestido.

Um vestido de flamenca é bastante caro, podendo variar desde 250 euros até mais de mil. Certamente em lojas de roupas usadas ou em feiras livres se encontra mais barato, correndo o risco de usar um traje da moda passada. Isso já aconteceu com uma amiga na nossa primeira feria. As pessoas olhavam para ela com cara de pena e era muito engraçado. Um vestido pode durar alguns anos, mas os mais “abastados” não repetem modelitos. Grandes estilistas como
Victorio & Lucchino
já desenharam coleções flamencas e todos os anos diversos desfiles são organizados para mostrar as últimas tendências.

O traje masculino é bem mais discreto. Também é bem menor o número de homens vestidos a rigor que o de mulheres. A grande maioria vai à Feria bem arrumados, de terno e gravata para acompanhar a sua sevillana. Mas o verdadeiro traje é chamado de “traje corto”, que é na verdade um traje de montaria, utilizados pelos “antigos” tanto no trabalho no campo como para aceder à feira de gado. Suas cores são sóbrias, em tons de cinza ou marrom (para dissimular o pó) e na maioria das vezes o tecido é liso, sem nenhuma estampa. Utilizam um chapéu, sempre fazendo conjunto com o traje ou com uma espécie de “bolero”, uma jaqueta curta. Os acessórios são esporas, suspensórios, coletes ou lenços. As mulheres que montam também podem usar o traje curto ao invés do traje de flamenca.



Dá pra perceber que é uma explosão de cores, e é exatamente isso umas das coisas que mais me encanta da Feria de Abril. Por todos os lados encontras sevillanas: no ônibus, nas ruas, no supermercado, nos bares. Muitos me perguntam se eu já me vesti com o traje, e eu sempre respondo que não, nem pretendo. A seguinte pergunta é por quê? Porque não... Não sou sevillana, nunca me vesti de prenda na Semana Farroupilha, não é porque atravessei o oceano que vou entrar de corpo e alma numa cultura que não é a minha. Eu respeito, acho lindo, mas só isso. Conheço vários estrangeiros que já se vestiram ou gostariam de se vestir algum dia. Em minha opinião, cada um com a sua. Quem sabe um dia, apenas para fazer fotos... Mas vestir o traje simplesmente por vestir seria me disfarçar de sevillana e isso, sinceramente, ultrapassa meus limites.


Sábado, 25 de Abril de 2009

Feria de Abril: Casetas


Desde os primeiros anos de celebração da Feria de Abril, além de currais para o gado, se estabeleciam metros para um pequeno espaço coberto com todos, para que os visitantes e expositores se protegessem do sol e da chuva. Também foi instalada pela prefeitura, em 1849, uma espécie de barraca para vigiar e manter a ordem no recinto ferial. Esta barraquinha pouco a pouco foi se desviando do seu objetivo e se tornou famosa por seu ambiente festivo. Com o passar dos anos, o gado também foi perdendo espaço e o numera de casinhas de lona foi aumentando. Transformaram-se no que hoje se conhece por “casetas” da Feria.

Em 2009, o Real de la Feria está formado por 24 quadras numa trama “urbana” de 15 ruas, com um total de 1047 casetas. Tudo é ordenado e planificado, com muitas leis a cumprir. As casetas são dividas em públicas ou privadas, sendo que este ano são 57 do tipo familiar de titularidade única (uma única família), 499 do tipo familiar de titularidade compartida (várias famílias), 190 do tipo associação (Associação dos Moradores do Pestano, por exemplo), 311 de entidades (Conselho Regional de Farmácia, por exemplo), 6 de distritos municipais, 13 de serviços municipais e uma caseta municipal, sendo somente as 20 últimas públicas.

As casetas da Feria de Abril possuem dois espaços perfeitamente diferenciados e separados:

- Parte frontal ou nobre: é aquela que podemos ver da rua, onde estão localizadas as mesas para o pessoal comer e descansar, mas também onde se dança, se canta, enfim, onde as pessoas se relacionam e bebem muito rebujito (Manzanilla com Sprite).
- Parte traseira: interior da caseta onde se situam a cozinha, o bar e os banheiros.



Como se pode perceber é tudo muito organizado e ordenado por módulo. Cada módulo tem 4 metros de largura por uma profundidade mínima de 6 metros (dependo da caseta). Sobre esta base se levanta a estrutura metálica básica, com o objetivo de manter a uniformidade do conjunto das fachadas. Uma caseta poderá estar composta de um ou vários módulos, dependendo da sua importância (ou do preço que se pague).

O corpo da caseta deve ser coberto por uma lona listrada nas cores vermelho e branco ou verde e branco. As listras devem ter uma largura de 10 centímentos, estar impressas pelos dois lados e serem colocadas na orientação vertical em relação ao chão.

A fachada da parte frontal deverá ser fechada com cortinas de lona com características idênticas ao fechamento do corpo, mas que permitam que sejam recolhidas em ambos os lados da caseta de maneira que se permita enxergar, desde o exterior, o interior da sua parte nobre. Para o fechamento da fachada, poderá se colocar uma espécie de grade de madeira ou metálica, com desenho tradicional e pintado de cor verde, com uma altura nunca superior a 1,50 metros. Internamente a zona nobre pode ser decorada, sempre com elementos tradicionais (leia-se decoração de casa da vó)
. Todas as casetas deverão permanecer abertas, com as cortinas recolhidas, nas horas dos passeios de cavalos e também pela noite.

Como se pode perceber nada pode fugir à regra. Todas as casetas são numeradas e no frontão da fachada estampam o nome da “congregação”. Também se nota que o número de casetas privadas é imensamente maior que o de públicas, o que faz da festa, desde o meu ponto de vista, extremamente elitista. As casetas particulares, como o próprio nome diz, pertencem a famílias ou grupos, onde um guarda controla o entra e sai e só se entra com convite. Turistas, estrangeiros e “menos afortunados” compartem as casetas públicas, mas nem por isso perdem a animação. As municipais são bastante divertidas, mas é certo que ali também existe uma maior aglomeração de gente, de empurra-empurra, de confusão e de fila para ir ao banheiro... Quem pode, pode. Quem não pode se sacode!

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