terça-feira, 10 de novembro de 2009

Festival de cinema em Sevilla!

Uma notícia para os amantes da sétima arte. Começou na semana passada o Sevilla Festival de Cine Europeo, que durará até o dia 14 de novembro.

Este ano o festival vai homenagear o cinema britânico, repassando alguns dos melhores títulos de sua cinematografia e abrindo espaço aos novos talentos. Destaque para “Das Weisse Band” de Michael Haneke, “Looking for Eric” de Ken Loach, “Un Prophète” de Jacques Audiard e “Vincere” de Marco Bellocchio.

Está programada uma seleção de filmes do cineasta Nicolas Roeg e o espanhol Fernando Trueba receberá o prêmio de Honra do Festival por sua carreira, projetando sua ultima produção “El baile de la Victoria”, selecionada para representar a Espanha no Oscar. O filme “Triage” protagonizado por Colin Farrell e pela sevilhana Paz Veja será apresentando no ato de inauguração do festival.

A programação oficial pode ser consultada aqui.

sábado, 7 de novembro de 2009

Turistando: o Algarve de verdade...


Fiquei devendo um post sobre os detalhes do tal acampamento no Algarve, Portugal.

Se você não conhece o Sul de Portugal, mas já ouviu falar sobre o Algarve ou viu fotos deve imaginar que a paisagem é linda, cheia de falésias que formam praias encantadoras com águas cristalinas e um pôr do sol maravilhoso... Bem, realmente é assim, mas não em toda costa.

Nas minhas outras viagens à região eu tinha ido direto à cidade de Faro e Albufeira e desta vez decidimos ver “qual é” a das praias mais próximas da Espanha. Não ouso chamar nenhuma paisagem natural de feia, muito pelo contrário. Mas em minha opinião, o espetáculo do Algarve começa mesmo cerca de Albufeira. Posso dizer que conhecemos umas quantas prainhas e nada se compara com a beleza das praias com falésias.

Já estava um pouco decepcionada quanto decidimos avançar alguns quilômetros em direção a Portimão, em busca de um pouco mais de alegria para os olhos. Foi quando encontramos a praia de Benagil . Noooossa, era isso que eu queria ver deste o principio! Uma prainha bem pequena, rodeada de falésias e com barquinhos coloridos. Linda! Passamos todo o dia ai e só fomos embora quando a sombra do morro trouxe o frio. Na volta para casa, mais uma descoberta: a praia da Marinha. Outro espetáculo da mãe Natureza. Paisagens exuberantes, um céu inexplicável e um silêncio quase absoluto no final da tarde.

Fica ai a dica. Se você vai com pouco tempo ao Algarve, vá direto ao que interessa!

Voltamos ao camping maravilhados com tantas imagens guardadas na memória. E nas fotos que o Paulo aproveitou para fazer, claro...












Mais fotos no Picasa!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

I gotta feelin...



Essa música toca por todos os lados aqui...


"I gotta feelin
That tonight's gonna be a good night
That tonight's gonna be a good night
That tonight's gonna be a good good night..."


Não sai da minha cabeça e me lembra muito uma época da minha pós adolescência quando eu saia com a minha amiga Elisa (hoje professora séria) e diziamos: "A noite promete!" Bons tempos... quando a gente era o que era e não tinha que provar nada para ninguém...

sábado, 31 de outubro de 2009

Eu avisei...


Logo que ela começou (a crise, não queria nomear a dita cuja mas talvez o texto ficasse incompreensível) eu avisei: se cuidem com os roubos! Dito e feito, o número de delitos cresceu 17% na Espanha em 2008.



Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estadística (INE) indica que durante o ano passado foram cometidos 250.201 delitos, e ainda que tenha diminuído os índices com lesões corporais, aumentaram os relacionados com a “seguradad vial”, ou seja, pequenos crimes que ocorrem nas ruas (44% do total).

A maioria dos condenados é de nacionalidade espanhola (70,3%) e entre os estrangeiros os americanos lideram o ranking com 38,7%. A Andalucía também está a frente ao número de condenas, 21,3% de todas as que ocorreram na Espanha.

Resumindo, aconteceu o que era inevitável. Sem dinheiro no bolso, o desespero fala mais alto e os pequenos “atracos” aumentam. Infelizmente, não só isso. Tem mais gente pedindo dinheiro (ou cigarro!) e comida na porta do supermercado, dormindo na rua, revirando lixo, cuidando carro e até lavando pára-brisa nos semáforos e vendendo lenços de papel entre um sinal vermelho e outro. Nesses quatro anos que vivo aqui, já notei uma diferença e tanto, principalmente nestes dois últimos anos.

Mas no geral, não me sinto mais ou menos ameaçada. Nós, brasileiros, estamos acostumados a dar aquela “olhadinha” para trás de vez em quando e atravessar a rua quando algum “suspeito” vem na tua direção. O “pseudo” clima de tranqüilidade que a Europa transmite, muitas vezes faz a gente baixar a guarda. Mas nunca fui assaltada por aqui e tampouco conheço tanta gente que foi. O certo é que Sevilla não é uma capital como Madrid e Barcelona (onde sim conheço muitos casos de assalto) e por tanto pode ser mais “segura”, mas não é bom bobear. Eu sempre digo para quem vem me visitar e relaxa pensando que por aqui é todo mundo do bem: estamos na Europa, mas ladrão existe em todo lugar! E principalmente nos locais turísticos, onde o pessoal anda mais desligado.

Enfim, com o aumento dos “carteristas”, como se chamam os batedores de carteira, as dicas para evitar um contratempo durante uma viagem aumentaram. Não existe um perfil do tipo em questão, mas os expertos no assunto dão algumas pistas:

No metrô: dizem que costumam levar uma jaqueta e um jornal na mão para despistar. Ao entrar no vagão dão um empurrão na vítima, que se desconcerta e acaba sendo roubada sem nem perceber.
Na estação de ônibus: atuação em dupla. Um dos espertinhos deixa cair alguma coisa no chão, a vítima se abaixa para ajudar a pegar e enquanto isso o outro malandro rouba uma das malas. Também acontece de um deles te pedir uma informação com um mapa enorme, e enquanto tu tentas ajudar o “amigo” a se localizar, o outro vem e leva uma das tuas bolsas. Na Estación Sur de Autobuses de Madrid está cheio de cartazes explicando como os carteirista atuam, para tentar evitar a propagação dos pequenos roubos.

A única coisa boa disso tudo (boa?) é que normalmente os delitos não são cometidos a mão armada, o que eu considero um grande lucro. Não sei se algum dia a Espanha chegará a esse ponto, imagino que não... mas pelo andar da carruagem, a coisa pode ser que esteja se encaminhando. Veremos.


Os 10 destinos onde se deve andar mais atendo aos “carteristas”

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Obras&Músicas


Ultimamente tenho tudo para acordar de mau humor. O condomínio onde moro está reformando toda a fachada, com direito a pintura geral e substituição do piso nas sacadas e impermeabilização das mesmas... ou seja, praticamente todo o dia acordo com o ruído de uma britadeira. Isso quando os pedreiros não esquecem o dedo no interfone (béeee – é ensurdecedora a campainha) às 8 da manhã para pedir para entrar pela minha sacada. Como se não bastasse, Dona Lola deu para miar pela manhã e pedir para subir ao terraço comunitário (eu moro no último andar e às vezes a deixavaela subir um pouquinho, mas depois de uma semana de visita aqui em casa, minha mãe (vó) estragou a minha gata com seus mimos).

Vejam bem, estou escrevendo a minha tese de doutorado e posso afirmar que não sou a pessoa mais apegada a horários fixos. Normalmente minhas horas de estudo são pela manhã e pela noite (o conceito de tarde aqui é relativo) e não costumo acordar antes das 9:30, hora que teoricamente deveria tocar meu despertador, já que sempre vou dormir bastante tarde e minhas 8 horas de sono são sagradas.

Então, quem aguenta? Eu moro de aluguel e convenhamos, não votei em reformar o edifício justo quando meus neurônios devem mais funcionar para terminar logo essa tese. Ai vem o lado legal da história. Eu moro do lado do Conservatório Superior de Música  e da Escuela Superior de Arte Dramático. Não lembro se já comentei aqui no blog que às vezes parece que tem uma cantora de ópera na minha janela. Isso poderia ser a gota d`água nas minhas manhãs, mas o pessoal parece ser bom e ter um ótimo gosto musical. Já acordei ao som da trilha sonora do House e essa semana começou com "I believe in miracles" e "We are family". Hoje parece que vai tocar todo o CD do Dirty Dancing, começando por aquela "So won't you, please, (be my, be my baby) Be my little baby, (my one and only baby) Say you'll be my darling..." Eu curto, principalmente quando as aulas são de música clássica ou de dança. As de teatro confesso que irritam um pouco, porque eles gritam muito e eu não consigo entender os diálogos (sorte que essa classe é mais tarde e já estou acordada faz tempo).

Quando me canso dos artistas, fecho a janela e pronto, nada de barulho. Pena que não posso dizer o mesmo com relação a essa maldita obra.



PS.: Para completar, mudei o editor do Blogger e agora as letras dos posts ou ficam pequenas ou enormes. Vou ver se consigo solucionar isso por conta própria...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cônsul espanhol e caipirinha brasileira



Semana passada fomos prestigiar a inauguração do Consulado Honorário do Brasil em Sevilla. Confesso que não estava com a mínima vontade de ir, mas o Paulo tinha recebido o convite oficial de um amigo que é super amigo do novo cônsul e achou melhor não recusar. Afinal de contas, sempre é bom conhecer “gentes”. Então tá então, coloquei um modelito mais ajeitado e pra lá eu fui.

Logo no inicio me surpreendeu a localização do Consulado, no andar térreo de um bloco daqueles edifícios residenciais todos igualzinhos, num bairro afastado do centro. Quem sabe foi falta de verba... Encontrei muita gente engravatada, na grande maioria espanhóis (que só depois me dei conta que eram os “empresários”), vídeo com propaganda das Olimpíadas 2016 e uma faixa prestes a ser cortada. Graças a Deus a música era agradável, nada de pagode nem axé (um dos meus maiores medos, depois do de encontrar mulatas sambando num salto 15) e todo mundo bem comportado.

Estavam lá o Embaixador do Brasil e sua mulher, que junto com o novo cônsul e outras pessoas “importantes” cortam a faixa e deram as boas vindas a todos. O cônsul discursou em espanhol. Um papo prá lá de capitalista neoliberal, enfatizando a necessidade do consulado para incentivar as atividades econômicas espanholas no solo brasileiro. Deu aquela coceirinha... Mas enfim, estava lá o Embaixador Paulo Cesar de Oliveira Campos para falar em português, ainda que segundo ele mesmo dissesse no seu discurso que o portunhol era a língua do futuro!!! Salvou a pátria dizendo que o Consulado teria a função de dar a conhecer a cultura brasileira, de ser um ponto de encontro e apoio à comunidade de brasileiros em Sevilla e, é claro, falou da ampliação dos investimentos espanhóis no Brasil.

Depois do falatório, vieram os “cumprimentos” dos quais eu não participei (para quem não me conhece, sou bicho do mato embora nem sempre pareça) e por fim os comes e bebes. Contrariando os meus desejos, não serviram pão de queijo, coxinha ou risoles, mas sim boquerones fritos, jamón e queijo. Ainda bem que de beber tinha caipirinha para lembrar que era uma festa brasileira e também para os brasileiros.

A comunidade brasileira em Sevilla não compareceu em massa. Talvez não foram convidados, mas vi pouquíssimos falando o bom e velho português. O melhor da festa foi conhecer gente que vive aqui há anos, e quando eu digo anos é porque é muito tempo (mais de 14). Um pessoal bem legal e divertido, entre eles o Pintinho, primeiro brasileiro a vir jogar futebol no Sevilla, na década de 80. A noite rolou num clima de descontração, com direito a encontrão com o cônsul que fez ele me dizer que iria visitar o meu restaurante português. Meu? Mas eu sou arquiteta! Ahhh, a mulher do Paulo? Tudo na maior intimidade!

Enfim, o papo dos investimentos foi um pouco difícil de tragar, mas o que eu queria? Afinal, com a crise no velho mundo deve ter muito empresário querendo fugir para o país do futuro. Veremos se lá as barreiras serão as mesmas que enfrentamos aqui...

Fica aqui o endereço do Consulado para o caso de algum brasileiro em Sevilla necessitar dos serviços consulares que eles possivelmente prestarão (porque afinal de contas para isso também deve servir um Consulado Honorário:

C/ Monte Olivete, 1 - Bajo B 41007 - Sevilla Tel.: 954 580 423 - Fax: 954 102 982

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Superstar no El País

Brasil Direto:
Depois de dias conturbados e com notícias sobre a "guerra" na cidade que "nos ganhou" para sediar as Olimpíadas em 2016, a informação que rola agora num dos jornais de maior circulação da Espanha é sobre uma "superestrella" (que por sinal também é o presidente do Brasil) que estará em cartaz ano que vem... época de eleições.

Leia a materia
aqui.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Acampando no Algarve



Queria contar aqui no blog sobre as nossas férias de verão depois que o dito cujo fosse embora. Me parecia impossível falar de praia e sol enquanto vivíamos dias de calor sufocante. Mas agora... agora ainda seguimos com calor, com um verão que parece não querer nos abandonar tão cedo (gente, as temperaturas não baixam de 30 graus!) e decidi contar mesmo assim, senão a memória começa a falhar.

Em agosto de 2008 conhecemos o leste europeu. Sentimos frio em pleno verão, uma maravilha. Este ano, com a crise e o bolso mais que apertado, optamos por um roteiro mais em conta. Viagem escolhida: acampamento no Algarve! Já contei sobre o Algarve,como é chamada a região sul de Portugal, em outros posts, já que esta é a terceira vez que a gente viaja para lá. Como alguns amigos já tinham feito uma programação parecida e como em 2007 a gente já tinha acampado em Portugal (Ericeira), achamos que seria a opção com melhor custo&benefício.

E realmente foi. Quem está em Sevilla vai ao Algarve num pulinho, apenas duas horas de carro. Antes de sair uma passadinha no Decathlon para as ultimas compras do acampamento e pé na estrada.

Atravessando a fronteira, decidimos pegar uma estrada nacional, mais movimentada que a autopista, mas muito mais pitoresca. Já comentei aqui no blog que Portugal é outro mundo, muito mais parecido com o Brasil (meio óbvio), principalmente na arquitetura de beira de estrada. Nosso objetivo era percorrer poucos kms e encontrar o camping mais próximo.

Almoçamos em Vila Real, primeira cidadezinha de praia do Algarve. Compramos os ingredientes para os “bocadillos” no Lidl e lotamos o isopor de cerveja, refri, suco e muito gelo. O plano era gastar pouco então a solução era comer comida barata comprada em supermercado. A praia era normal, meio feinha até e decidimos comer à sombra de umas mesinhas públicas. Ali aconteceu o primeiro e maior mico da viagem: Paulo atolou o carro. PQP começamos bem!!! Mas a boa vontade e humor dos portugueses nos fez sair fácil (nem tão fácil) dessa. Pena que não temos fotos!

Seguimos viagem. Logo passamos por Tavira, onde eu sabia que tinha um camping numa pequena ilha, que tínhamos que atravessar sem o carro, essas coisas. Resolvi nem chegar perto, já que levei praticamente a minha casa para o acampamento e não estava afim de ser mula de carga (depois eu conto mais sobre a cidade, que acabamos conhecendo na volta). Passamos por Olhão, Fuseta, e eu nada de curtir os campings. Eu adoro acampar, estou super acostumada a montar barraca no Uruguay e isso me deixa um pouco exigente. Não me preocupo com luz elétrica ou banho quente (é, talvez com banho quente eu me preocupe), mas odeio camping lotado e acordar vendo a cara do vizinho. Prefiro curtir a natureza...

Depois de andar mais kms do que o previsto e nos perder nas indicações maravilhosas das estradas portuguesas, chegamos à Quarteira. O camping apesar de estar cheio não parecia lotado, tinha uma boa infra estrutura e o preço estava apenas um pouco mais acima do previsto (mais ou menos 6 euros por pessoa , 6 euros pelo carro). Era ali mesmo, já estávamos super cansados e ainda tínhamos que montar nosso super acampamento.





O camping era legal, tinha supermercado, restaurante, quadra de tênis e futebol, bastante arborizado, com piscina e um “tobo água” que parecia bem divertido (não experimentei!). Cada grupo tinha direito de escolher uma parcela de mais ou menos uns 60m2, separadas por cercas vivas. Não é a mesma coisa que estar no mato da Fortaleza de Santa Teresa, mas já é grande coisa quando se pensa na “escala européia”.

Acampamos durante 5 dias, tempo suficiente para que as costas agüentassem a falta do nosso maravilhoso colchão. Obviamente aqui eu não tenho toda a estrutura de uma verdadeira “campista” (fogão, mesinha, panela...) só uma churrasqueira comprada por 7 euros! Ou seja, nossa alimentação se baseou em sanduiches, laticínios, frutas e é claro, churrasco e cerveja.

Tai a dica para quem quer se divertir gastando bem pouco. Viajar no verão pela Europa, principalmente à praia, pode ser um rombo no orçamento! Os preços triplicam e é bastante complicado encontrar hostal barato. A opção do acampamento é ótima e não mata ninguém!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Arte num dia de domingo


Uma dica de passeio para quem vive em Sevilla, ou está aqui de passagem, é a feira de arte que ocorre todo domingo na Plaza del Museo. Ali vários artistas expõem seus trabalhos que vão desde pinturas de natureza morta até estilos mais contemporâneos. Não são apenas telas o que se pode encontrar, mas também esculturas, desenhos e algumas coisas de artesanato. Os preços são variados e é uma ótima opção para quem quer levar uma recordação diferente de Sevilla.

O museu que dá nome à praça é o de Bellas Artes, que fica ao lado e precisamente nos domingos a visita é grátis até as 14hs. Vale a pena conferir!





quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Homo sapiens curiosus - nomes sevillanos



Uma coisa que me chamou a atenção logo que cheguei a Sevilla foi a falta de criatividade dos nomes próprios. Todo mundo se chamava Manuel, José, José Manuel, José Luis, Juan, Pablo, Juan Pablo, Miguel, Antonio, Juan Antonio, Juan Manuel, Luis Miguel, Francisco. Entre as mulheres todas eram Fátima, Carmen, Isabel, Dolores, Manuela, Ana, Rocio. E os apelidos então, Pepe, Paco, Luismi, Juama, Juanfran, Nancho, Lola, Manu, Manolo... Me assustei com nomes perversos como Encarnación, Angustias, Soledad, Amparo e Piedad e ri de outros como Macarena e Pilar. Jesus e Maria também têm aos montes. Mas o mais interessante era a relação entre todos eles: eram nomes católicos.

A história conta que durante alguns períodos a escolha do nome do recém nascido era uma imposição bastante rígida (na época dos Reis Católicos – no século XV – mas também durante a ditadura de Franco) e que até bem pouco tempo atrás havia uma lei que proibia o registro de nomes estrangeiros, salvo quando estavam “espanholanizados” ou quando se tratava do nome dos pais da criatura e desde que fossem de fácil pronunciação e não tivessem tradução para o espanhol.

E o mais apavorante de tudo isso é que hoje já não existe nenhuma dessas obrigações e o povo segue escolhendo nomes tradicionais para os seus filhotes. Até aparecem alguns mais moderninhos como Diego, Emilio, Álvaro, mas são poucos os que se atrevem a romper com séculos de tradição.

Outra curiosidade: aqui cada um além de comemorar o dia do seu aniversário, comemora o dia do seu santo!!! Isso mesmo, para quem é péssimo em datas (como eu) além de lembrar que tenho que dar os parabéns a alguém pela sua mudança de idade, também tenho que felicitar pelo santo!

No meu caso, como não existe nenhuma santa Glenda (muito pelo contrário), fico em desvantagem. Meu nome é diferente até no Brasil (agora já nem tanto porque a Kozlowski já se popularizou), mas confesso que aqui o povo compreende melhor (nunca fui confundida por nenhuma Leandra, por exemplo).

Às vezes penso se no Brasil não faltava uma leizinha dessas... Evitaria os Valdisneis e as Dausarinas da vida. Mas ao mesmo tempo, adoro a criatividade do nosso povo na hora de dar um nome ao “picuri”. Se aqui fosse assim, eu poderia gritar “Manoloooo” na rua e ninguém olharia para trás!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Finalmente o "canje"!!!


Hoje, depois de muitos anos de espera, finalmente conseguimos “canjear” nossa carteira de motorista brasileira por uma espanhola. “Canjear” significa “trocar”, ou seja, deixamos o nosso documento e trocamos por um de igual valor válido aqui na Espanha.

Para quem não sabe nada do que eu estou falando, vou me explicar. Um estrangeiro pode conduzir na Espanha com sua carteira de motorista do seu país de origem por seis meses. Depois disso, é obrigado a fazer o “carnet” espanhol. Eu sei que muita gente deve estar pensando, “ah, mas eu tenho a carteira internacional que eu fiz no Detran lá no Brasil e é válida por um ano!”... mas na prática não é bem assim. A lei é clara: depois de seis meses nenhum documento de motorista que não seja espanhol é válido. Que uma pessoa tenha sorte ao ser flagrado com um documento brasileiro é outra coisa...

Temos carro, mas ele fica praticamente todo o tempo parado. É usado para emergências e principalmente para viajar. Juro que tentei ir a uma autoescola por aqui, mas as aulas teóricas me matavam e eu tirei a toalha. Desde então, tenho pânico de direção e só ando na carona.

Acontece que existe outra possibilidade para aqueles residentes na Espanha que não podem nem pensar em fazer de novo uma prova prática: “canjear” a carteira. A Espanha tem um convênio com diversos países (Argentina, Chile, Bolívia, Japão, Coreia, etc) e convalida os documentos expedidos fora do território nacional. O Brasil assinou o acordo no início deste ano e desde então a comunidade de brasileiros na Espanha estava doidinha para poder conseguir a permissão para dirigir. Pois bem, depois de muitos bláblálás, diz que me disse, esperas pelo Denatran e tudo mais, hoje conseguimos finalmente o nosso “canje”. É uma grande vitória!

O processo só é válido para carteiras expedidas antes da assinatura do acordo, ou seja, antes do dia 7 de abril. Então ai vai a dica: se você pretende vir morar na Espanha por pelo menos mais de seis meses, precisa dirigir e pensa em fazer a carteira antes de vir para cá, pense duas vezes, porque talvez terá que fazer de novo as provas por aqui.

No site da DGT (Dirección General de Tráfico) tem tudo explicadinho e inclusive a documentação para quem quer pedir o canje. No Orkut, uma comunidade sobre carteira de motorista-Espanha é super informativa e ativa, vale muito a pena conferir.
Agora é só correr pro abraço! :)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Al vacío by Paulo Ramalho



"Personas que pasan o se quedan. Cuerpos, bultos, almas llenas o vacías. Masas al movimiento del tiempo, mundos separados. Figuras que parecen navegar al aire, moviéndose como hojas de otoño sin destino. Personas sin formas, personas al vacío..."


Momento corujisse: série de fotos do Paulo! Clique aqui.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sin papeles, con asistencia


Uma reportagem que saiu em diversos jornais hoje me chamou a atenção. A Espanha é um dos países europeus com maior porcentagem de “sin papeles” (vulgos imigrantes ilegais) que dispõem de cobertura sanitária. A ONG Médicos do Mundo realizou uma pesquisa em diversos países da Europa e constatou que o direito à saúde não está plenamente garantido e que a maioria das leis discrimina abertamente os ilegais.

Estes dados também derrubam o mito da “imigração sanitária”, já que os pesquisadores constataram que a maioria dessas pessoas não vem à Europa em busca de tratamento médico nem para “se aproveitar” dos sistemas europeus de cobertura sócio-sanitária.

Segundo a pesquisa, em alguns países, como a Suécia, as pessoas sem visto de residência não têm direito a nenhuma cobertura sanitária gratuita, nem mesmo se precisar fazer um parto de emergência. Em outros como a Alemanha, os poucos direitos que existem são praticamente anulados porque as instituições sanitárias têm o dever de denunciar os irregulares que solicitam atendimento. O Reino Unido oferece algumas coberturas, mas deixa de lado o pré-natal, por exemplo.

No caso da Espanha, aqueles que solicitam asilo ou que não têm permissão para residir no país têm os mesmos direitos ao atendimento sanitário e nas mesmas condições dos espanhóis, ainda que em alguns casos encontrem algumas dificuldades com os processos administrativos, já que necessitam, pelo menos, estar “empadronados” (o que significa ter uma residência fixa registrada). Mas ao atendimento de urgência TODOS (independente de “empadronamento”, nacionalidade ou documentos em dia) são atendidos.

Mas o que me chamou mais ainda a atenção foram os comentários, feitos pelos próprios espanhóis, com relação à notícia. Reproduzo na integra o que o Manuel (Manu ou Manolo) e alguns outros escreveram:


“Vergüenza nos tendría que dar, llegan de fuera y le atienden antes que a los propios españoles, no hay más que ver la cantidad de inmigrante que hay en las consultas y en los hospitales que tienen asistencia gracias a nosotros, subida de impuesto pues claro esto es jauja. Y no solo la seguridad social sino educación y mil cosas más, que vaya un español a un país árabe o africano a ver si le van a dar religión a tu hijo, a tragar por lo que te digan”.

“Los ilegales no solo no tendrían que tener cobertura, es que no tienen que seguir en este país, o es que solo tenemos obligación de cumplir la ley los de siempre?”

“Me gustaría saber si un españolito de a pie sufre una apendicitis en uno de "estos" países cómo sería el trato recibido...”

“Esto es indignante, si tenemos la posibilidad de identificar a un irregular porque acude a hacer uso del servicio sanitario que pagamos los demás ¿es mal momento para cogerlo, esposarlo, y deportarlo en 24h? Hay cosas que son indignantes”.


Deixo que cada um de vocês tire as suas próprias conclusões sobre as palavras desses cidadãos. Tem muita gente que pensa como o Manolito e considera o sistema sanitário espanhol “flojo”, ou seja, que facilita muito a vida de quem nunca colaborou um tostão com a “Seguridad Social” (o SUS espanhol). Gente sem memória, sem estudos, sem um pingo de cultura que espera ser bem atendido em um hospital ao sentir dor de barriga quando estiver de férias por um safári pelo Quênia. Este último então diz que deveriam aproveitar a situação de doença de um ilegal para pegar-lo, algemar-lo e deportar-lo em 24 horas. Isso sim que é indignante!!!

A boa notícia é que muita gente também é a favor desse sistema. Eu acho que oa sanidade espanhola pode ser considerada um exemplo. Claro que está longe da perfeição, mas o direito ao atendimento sanitário deve ser universal e igualitário. A maioria dos ilegais não está nesta situação porque quer, obviamente, e com certeza preferiria contribuir à viver na ilegalidade (na grande maioria dos casos). Ou seja, o buraco é bem mais embaixo e aqui, mais um vez, acho que o que deve pesar é o “sirvo, logo existo”. Coloco aqui os comentários escritos por pessoas mais sensatas, inteligentes, humanas, cultas e menos xenófobas (sim, porque elas existem).


“Legalmente no pueden tener cobertura sanitaria, pero humanamente si ......que al fin y al cabo son gente que huye de una guerra o de la hambruna”.

“Por humanidad y solidaridad todos los extranjeros deberían tener derecho a la sanidad en España. Que bastante mal lo pasan en sus países de origen que son pobres y subdesarrollados. Lástima que haya una minoría racista y inhumana, a ver si les discriminan cuando se vayan a otros países de vacaciones o a vivir va a ver lo que sufren estas personas. Es increíble este país de prehistóricos que ha salido de las cavernas. Y no terminan de evolucionar en pleno siglo XXI en el año 2009”.

“Es una de las cosas de la que los españoles deberíamos estar orgullosos. Y un ejemplo para el mundo entero. Otra, es que podamos con todo este gasto”.


A eterna luta entre os de baixo e os de cima promete continuar, infelizmente... já que nem quando o processo é igualitário e tenta diminuir as diferenças, todos saem contentes.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O animal público...



Es contra él contra quien se proclaman los estados de sitio y los toques de queda, que consisten en dejar espacio urbano libre de sus naturales, de los peatones, en acuartelar a quienes podrían verse asaltados por la tentación de ir de aquí para allá. No se sabe apenas nada de él, salvo que ya ha salido pero todavía no ha llegado, que antes o después de su tránsito era o será padre de familia, ama de casa, oficinista, obrero sindicado, funcionario, amante o panadero…, pero que ahora, en tránsito, es pura potencia, un enigma que desasosiega”. (Delgado, 1999, 201)

sábado, 19 de setembro de 2009

Marcha en Bici















Noticia para quem está em Sevilla!

Amanhã tem a Marcha en Bici 2009.
O itinerário do passeio ciclistico começa e termina no Parque de los Príncipes, passando por diversas ruas da cidade. É gratis e vão ser distribuidos diversos brindes.
Vamos?

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